para ler num canto [ou motivos de um dia frio]

setembro 5, 2009 § Deixe um comentário

Eu jogo pérolas aos poucos ao mar
Eu quero ver as ondas se quebrar
Eu jogo pérolas pro céu
Pra quem; pra você; pra ninguém
Que vão cair na lama de onde vêm

Eu jogo ao fogo todo o meu sonhar
E o cego amor entrego ao deus dará
Solto nas notas da canção
Aberta a qualquer coração
Eu jogo pérolas ao céu e ao chão

Grão de areia
O sol se desfaz na concha escura

Lua cheia
O tempo se apura
Maré cheia
A doença traz a dor e a cura
E semeia
Grãos de resplendor
Na loucura

Eu jogo ao fogo todo o meu sonhar
Eu quero ver o fogo se queimar
E até no breu reconhecer
A flor que o acaso nos dá
Eu jogo pérolas ao deus dará


Pérolas aos poucos – [WISNIK, Zé Miguel e NEVES, Paulo[

— —

ORQUESTRA

A coisa mais solitária do mundo é um solo de flauta

Em compensação a tua cabeça está cheia de borboletas estrídulas

Mas eu deixo tombar das minhas mãos o pandeiro de guizos

E, na verdade, o que eu tenho é uma alma de violoncelo

—- grave, profunda, triste…

[QUINTANA, Mário[ in Velórios sem defunto

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