sem violinos

março 6, 2012 § 1 comentário

Eu inventei um cheiro bom pra tua pele

e fico gostando dele de longe.

Meu olho estacionado.

Vontade de lamber teu ombro.

Cansar a tua beleza

até que ela seja minha.

 

[KLEJNBERG, Michel[

 

 

//pra você que diz que esqueço “tudo de relevante”.

:}

março 3, 2012 § Deixe um comentário

:}

..

no fundo

fevereiro 29, 2012 § Deixe um comentário

não, não tem nada

nem um arzinho?

de tico?

 

nada.

ponte aérea

setembro 13, 2011 § 4 Comentários

agora não é hora

adiantei o vôo?

agora não

agora não

 

estou cá, deste lado, com você

e fico.

 

 

 

manhã de sol com azulejos [mais chico alvim]

agosto 29, 2011 § Deixe um comentário

Tudo se veste da cor de teu vestido azul

Tudo — menos a dona do vestido:

meus olhos te passeiam nua

pela grama do campo de golfe

 

Uma curva e ei-nos diante de meu coração

 

Não amiga

não temas;

meu coração é apenas um chapéu surrado

que humildemente

estendo

para colher um pouco da tua graça distraída

de teu dia

[ALVIM, Francisco[

da insistência

maio 8, 2011 § 3 Comentários

tentando por ordem na bagunça que você me fez.

tentando arrumar a bagunça que você deixou aqui.

tentando por ordem na bagunça que você deixou. aqui,

tentando arrumar a bagunça que você me fez

Fechando o Punho [Making a Fist]

abril 13, 2011 § Deixe um comentário

Making a Fist
by Naomi Shihab Nye 

For the first time, on the road north of Tampico,
I felt the life sliding out of me,
a drum in the desert, harder and harder to hear.
I was seven, I lay in the car
watching palm trees swirl a sickening pattern past the glass.
My stomach was a melon split wide inside my skin.

“How do you know if you are going to die?”
I begged my mother.
We had been traveling for days.
With strange confidence she answered,
“When you can no longer make a fist.”

Years later I smile to think of that journey,
the borders we must cross separately,
stamped with our unanswerable woes.
I who did not die, who am still living,
still lying in the backseat behind all my questions,
clenching and opening one small hand.

Fechando o Punho
Naomi Shihab Nye 

Pela primeira vez, na estrada norte de Tampico,
eu senti a vida deslizando para fora de mim,
um tambor no deserto, cada vez mais difícil de ouvir.
Eu tinha sete, deitada no carro, assistindo às palmeiras
trançarem um padrão enjoativo pelo vidro.
Meu estômago, um melão rachado dentro da minha pele.

“Como a gente sabe se já está morrendo?”
supliquei para minha mãe.
Viajávamos havia dias.
Com estranha confiança, ela respondeu:
“Quando a gente não consegue mais fechar o punho.”

Anos depois, eu sorrio ao pensar naquela viagem,
nas fronteiras que temos de cruzar separadamente,
estampadas com nossas aflições irrespondíveis.
Eu, que não morri, que ainda vivo,
ainda deitada no banco de trás das minhas perguntas,
cerrando e abrindo uma pequena mão.

Versão brasileira: Ivan Justen Santana

 

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