aqui

março 26, 2010 § 1 comentário

o pensamento mediano, a vontade, sorriso que não se mostra, de dentro, secreto, secreto. a falta de um fio contínuo que pudesse ligar alguma-coisa em coisa-nenhuma, mas há a presença. sentado na cama com frase atrás de frase e sua gata de companhia. penso se você dorme, huh, penso nas verdades nunca ditas

/é, você dorme, e quem diria,o silêncio é sempre o mesmo

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sobre tentar a narrativa

março 22, 2010 § 1 comentário

começou pela caneta, pelo cheiro do chá — que devia ser verde, ou erva mate, não sei — mas tinha gelo. foi para o humor, a cidade, a correria. parou no colégio da infância e foi direto pra sala do diretor. sobrou-se nas risadas, teve um gole d’água e a casa da namoradinha. veio àquela chuva com a camisa nova no dia da festa supermassa e na hora lembrou da música da menina.

/o mais difícil foi a volta a pé

segredos que eu não te conto

março 17, 2010 § 1 comentário

eu não penso em você quando transo com outra mulher. eu não transo com outra mulher pra não ter que pensar em você.

serra da boa esperança

março 12, 2010 § 1 comentário

lava a calçada com precisão cirúrgica. explico: gosta de que quem pede passagem pela rua ou nem avisa mesmo tenha um chão novo pra pisar — como quem tenta dar pro mundo algum sonho, mesmo alguma coisa de nova, de lúdica. o sabão mistura com o tempo e o passado incorporado no cimento, no azulejo, na alegoria do portão, deixando na sua cabeça a idéia de missão cumprida. quem escolher passar por ali deixará sempre uma marca nova, com seus pés de barro, por pouco tempo, mas sempre muito forte.

/ele não procura duração, procura profundidade. gosta do breve que marca, não do tempo que fica.

ofício

março 8, 2010 § 1 comentário

de tudo que tem do mundo, tem pra se mostrar, pra se dar, pra se criar e não se ter. de tudo que se faz pro mundo, faz pra outro, disfarça do criador, toma-lhe a vida antes de nascer, já quando se pensa, direto, diretíssimo. de tudo que se tem quando chega, é sim pra ir embora, pro encontro no adeus, pro ficar na praia enquanto o barco vai — e quantas vezes não afunda bem ali na nossa frente; pois é

difícil ofício

de meu pobre

pingo

piegas

a raiz

março 4, 2010 § 1 comentário

tinha na cabeça a idéia de que o que era modelo não tinha paixão, não tinha libido, não sentia ódio. aquele clichezão mesmo de mundo perfeito e ideal utópico. todas as mulheres eram além — tratava o sexo como alguma coisa de bibelô, de porcelana, de cuidado; pra que quando encontrasse com alguma das milhares amigas pudesse gozar com força, com ódio e fúria, no limite da dor de tanto prazer. o outro lado do par romântico tinha sempre aquele status de impossível, de objetivo, de doar-se completamente.

/huh, mas que sexo aquele, medido e metrificado, colocando o selvagem do lado e ficando com a flor. esse parágrafo não tem objetivo; só insights.

o dedo

março 2, 2010 § 1 comentário

o corpo

o êxtase

Onde estou?

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