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junho 26, 2009 § 4 Comentários

A falta de motivo também preocupa. Uma falta de sentido (paralela, claro) ou uma vontade de ser directional, de ter um rumo à vista, um horizonte. Mas de que vale saber a profundidade de todo o lago? O mistério organiza o prazer e os sentidos, ele dá razão de ser pro passado. o mistério nos batiza e sodomiza (rimas pobres à parte), ele se firma como um dogma e há quem viva para ele. Ele é o controle da falta de controle .

Agora, deito. São cinco horas ou mais de insônia matinal e um dia inteiro de cegueira pela frente.

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[2]

junho 25, 2009 § 2 Comentários

Perder a fé no mundo, pode até ser, ganhar a confiança de alguém, “nossa, nada a ver. Por favor, atenha-se ao texto”. Não é pela falta de ninguém, também não é pela presença. Há dias em que o sonho aparece, tem outros que ele não se mostra de jeito nenhum, a lembrança torna-se um pedaço de carne morto que só deixa o cheiro, a gente só sabe que esteve ali.

E é mesmo por parágrafos curtos, dá pra ler o quanto quiser, na ordem que quiser. O mundo configura tudo desta forma mesmo, ao mesmo tempo, de uma vez, mas em blocos, em motivos, em linhas tênues que estabelecem de uma vez por todas as relações que existem e que não existem – o que não as torna mentiras. São coisas que têm o seu valor só por sugerir a possibilidade da verdade. A omissão fica fora de tudo. A omissão sugere que não há importância ou há medo demais para se relacionar com algo de sincero, com algo que – o que quer que seja – traga aquela ferida aberta e o gosto de pus, tão tão familiar. É preciso a coisa de frente. E de lado. A gente só precisa ter a coisa ali, à vista.

/ continua […]

palavra do patrocinador

junho 24, 2009 § Deixe um comentário

de longe, alguma coisa de curioso repara em tudo. OI prá você.

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junho 24, 2009 § 2 Comentários

é pelo som da manhã que o tédio desesperado se configura.

A furadeira, o carro, a padaria, o sol, o pássaro, o piano tímido, o som de ventoinhas e do computador que permite que se soltem palavras como catarse. Não se tem mais a paciência para escutar música pela manhã, e a fome configura um desejo estranho pelo café. Mais um dia de ver o sol nascer, desta vez sem insônia, só vontade de ficar acordado mesmo.

Não é que a gente não tenha motivos pra reclamar, uma coisa é gostar do drama sem choramingar, não é manha também; outra é tudo aquilo que incomoda e a gente geralmente fecha os olhos pra não ver. É como se aquilo ficasse ali, como um parasita minúsculo, microscópico, “oi, cansei de mim. Detesto você também”.

/ continua […]

muito ajuda quem não atrapalha

junho 23, 2009 § 1 comentário

finge, mente, não vê.

tudo some, da sua vista . mas existe

Resume

junho 23, 2009 § Deixe um comentário

Razors pain you;
Rivers are damp;
Acids stain you;
And drugs cause cramp.
Guns aren’t lawful;
Nooses give;
Gas smells awful;
You might as well live.

[PARKER, Dorothy[

O mundo silencioso

junho 22, 2009 § 5 Comentários


num esforço para que as pessoas
olhem mais nos olhos umas das outras,
e também para satisfazer os mudos,
o governo decidiu determinar
para cada pessoa exatamente cento
e sessenta e sete palavras por dia.

quando toca o telefone, ponho-o ao ouvido
sem dizer alô. no restaurante
aponto para a canja de galinha.

estou me ajustando bem ao novo jeito.
tenho estampas para todas as ocasiões.
cada manhã invento uma nova frase
que imprimo numa camiseta,
como os seres humanos estão vindo
ou karaokê para mudos.

tarde da noite, ligo para meu amor distante,
orgulhoso digo somente gastei cinqüenta e nove hoje.
guardei o resto para você.

quando ela não responde
sei que usou todas as suas palavras
então sussurro lentamente eu amo você
trinta e duas vezes e um terço.
depois disso, ficamos junto à linha
ouvindo um o respirar do outro.

[MCDANIEL, Jeffrey[ – tradução de Mauro Faccioni Filho

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