semi-nós

maio 16, 2009 § 1 comentário

fecha o olho, pisca.

desta vez não tem poesia, não tem cheiro, não tem saudade, não tem alguma coisa de pomposo, de arte. só a arquitetura destas paredes brancas e do lençol molhado, do travesseiro suado, da janela aberta – como se fosse um convite para o que tem lá fora fazer companhia, um voyeur ativo. a lembrança que não é lembrança, não dá vontade, não é bonita e nem é feia, é só memória; espalhada, em cacos.

em cacos pra se juntar, pra combinar, como uma vez costumava ser. mas os mesmos cacos vêm em partes (salve ironia), sempre têm aquela coisa do outro, do terceiro, do invasor. pensando bem, o caco é um invasor, sempre com nomes, com cores, com dias, com você. é caio, é cintia, é recado trocado, é cheiro de uma outra pessoa no meio do abraço de saudade-à-dois, é pétala, é amorfo. toma a forma que você quiser, te toma como melhor amigo, e gruda. gruda como a mão que tapa o grito, como o olho que fita o desejo, como, enfim, sei lá. só gruda. 

/balé de caco e memória, de novo e de novo, respiro. olho pro lado e você dorme.

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