fantasmas que mudam de dono

março 30, 2009 § Deixe um comentário

“eu a traí pois só queria desejá-la, ter a chance de achá-la atraente, fisicamente atraente em cada minúcia natural ou industrial, queria dar uma alma e não um nome, um caráter a cada detalhe mas sem uni-los num corpo completo e funcional, sem achar equivalência entre o sopro de minha boca e o nó que carrego no peito, no topo do meu estômago, essa vontade de cantar e vomitar ao mesmo tempo, queria achar os pedaços do que comi (pelos olhos, não pela boca, minha refeição se dá sempre pelos olhos) preservados no sopro de palavras que escapa de mim a cada instante, queria gostar de alguma coisa neutra, como um pão sem gosto envolvendo a maravilha minuciosa que perco minuciosamente, uma coisa neutra que torna contínua a desastrada euforia, deprimindo-a num batimento mais constante e previsível, mas que para mim já bastava, entenda, bastava se me fosse oferecida, mas como acreditar se eu já sabia que antes de anoitecer eu seria expulso e o pão sem gosto para mim seria amargo, seria doce, mas sempre excessivamente saboroso?”

   

     [RAMOS, Nuno[

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