Ó

janeiro 8, 2009 § Deixe um comentário

“Mas há o ovo, a obra-prima comum a todas as aves, uma perfeita combinação de higiene e asco, de assepsia e de gosma, de transparência e amarelo de cádmio, de sol e placenta, desastre e construção de solidez e fragilidade, origem e fim. São tantos os significados, quase todos reversíveis, que não vale a pena enumerá-los. No entanto, quem já quebrou sem querer um ovo dentro do bolso do casaco e teve de limpá-lo depois de misturado aos documentos conhece o amarelo incontrolável invadindo o forro da pelúcia num dia frio. Não há propriamente como tirá-lo de lá pois mesmo não sendo sólido refugia-se numa unidade gelatinosa que reage e escapole entre nossos dedos, e continua ovo, ainda dentro do bolso.”

[RAMOS, Nuno[

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