Mulher

outubro 31, 2008 § 1 comentário

 

 – Ele vivia dizendo que ela era um amor de mulher: de uma meiguice, uma delicadeza, uma docilidade, sei lá… Tudo que ele falava ela respondia de uma maneira tão suave, com um sorriso tão delicado, não dizia sim nem não… Se ele perguntava, por exemplo: ‘Quer ir ao cinema hoje, meu bem? – ela dava um suspiro e fazia um ar vago, erguia os ombros como quem diz: “Você é quem sabe…” Casou-se com ela e só então descobriu que era surda feito uma porta.

 

                      [SABINO, Fernando[

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Vento

outubro 29, 2008 § 1 comentário

 

Em fins de julho, o vento mordeu

as janelas da casa. Voltou

por muitas vezes do incerto lugar

em que se exila dos mortais

reabastecido de velocidade e fúria

e golpeou os quadros na varanda.

O vento trouxe um gemido essencial

recordando as ditações originais

de vida e morte, na equilibrada

energia liberada entre as árvores

e os rios, as montanhas e as nuvens

eternas, sempre de passagem.

 

                  [MAIA, Luciano[

Puta

outubro 28, 2008 § 2 Comentários

 

Tem dia

que não consigo fazer um carinho

não consigo falar

então vou pra frente do hospital

sento na grama

choro

espio o tempo

 

                           [ALVIM, Francisco[

Um poema sobre as infinitas formas de amar

outubro 27, 2008 § 1 comentário

 

 

– Deita.

 

         [KLEJNBERG, Michel[

Poema Desprezível

outubro 24, 2008 § 1 comentário

 

eu gosto de você porque você deixa

que eu te use que eu te exiba

como um troféu como um trunfo

 

eu gosto de você porque você finge

que gosta de mim que me aceita

quando no fundo sei que me odeia

 

eu gosto de você porque você sabe

que sou machista

egoísta e você nem liga masoquista

 

eu gosto de você

porque você acha meus

poemas incríveis quando

sabemos são sofríveis

 

eu gosto de você

porque não consigo pensar em você

 

se pensasse talvez te desprezasse

 

                       [BEHR, Nicolas[

Arquitetura Urgente

outubro 23, 2008 § 3 Comentários

Medir os sonhos
e projetar outras
vidas.

        [BREGALDA, Tarcísio[

Uma cidade

outubro 22, 2008 § 1 comentário

Com gula autofágica devoro a tarde
em que gestos antigos me modelaram
Há muito, extinto o olhar por descaso da retina,
vejo-me no que sou:
Arquitetura desolada –
restos de estômago e maxilar
com que devoro o tempo
e me devoro

                       [ALVIM, Francisco[

Onde estou?

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